quarta-feira, 27 de maio de 2009

Monólogo Contigo (Para ti)

- Sabes porquê que tenho esta mania de arrumar tudo à minha volta?

Para me organizar mentalmente,
Desempoeirar-me.
Estruturar.

Segura, sentir-me só um pouco mais...

Perdoas-me ter-te afastado na altura, tão certa? Por te destronar a qualquer oportunidade?
Foi o medo.
Tão irracional! 
 mas medo
receio
insegurança
pó.

Querer e ser tudo tão cinzento.(Ainda mais escuro agora)
Ser vermelho, proibido e Paixão. (Mais forte, ainda)
E é Saudade, meu querido.
Aquele aperto tão escrito e descrito, que pode estar gasto e cansado,
mas tão vívido e sentido em mim, agora.
Destabilizador, fustigante e tão frio
Vivo e a gritar,
corroendo o silêncio,
do meu caos.

E a lembrança do teu cheiro, do teu querer desalmado
na maneira como me querias e chamavas,
tão tuas,tão nossas

E novamente a saudade.
lembrança.

- Lembras-te quando te desmentia?
  
Arrumava, meu querido
Tudo aquilo que me davas.
num canto tão meu,
e que só partilhava contigo, silenciosamente e sem marcas.
Para não te mostrar,
na fortaleza que sou,
toda a fragilidade que tenho.

Desarrumaste-me tanto, meu querido, tanto!


sexta-feira, 8 de maio de 2009

Relincha cavalo doido
Como se cantasses para o mundo
Quebrando a letargia, o cansaço, de quem não te pode ver

Corre pelos céus, com vontade de astro indomável
Com luz de estrela cadente

Deixa o vento moldar-te a silhueta, potro incansável
Para que nada perturbe essa vontade de viver

Sê selvagem e indomável, para sempre.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

E enquanto criança, 
perdia-se nas cores do mundo.
Brincava na magia do sentir, correndo para lá da realidade.
Experimentava.

Saboreava tudo  como se de um gelado de chocolate se tratasse,
Explorava e adorava.

Questionava, com todos os porquês que possuía.
Inquietava-se com todas as respostas mal dadas, esquecidas em segundos.

Adormecia e sorria, sonhando correr para o mundo que a esperava amanhã.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

O papel e o branco

Enfrentar uma folha de papel em branco, mesmo que esse papel seja virtual e até de arroz é complicado! Diria até aterrador, mas não custa tentar. Podemos começar por algo ilógico, que com o encadeamento de ideias, se vai tornando lógico e real, mesmo correndo o risco de continuar ilógico para quem nos lê.E aqui se encontra a grande questão: porquê pensarmos na lógica de uma questão e nos seus contornos, se o o indefinido tem muito mais interesse? E se para nós for lógico? Será que o "mundo exterior" é assim tão importante?
Começamos como que a colorir um quadro, daqueles que nunca saem do nosso plano imaginário, pela alegada "falta de jeito" tão frequentemente afirmada. E porque não, não tentar? Desafiar o papel, pondo em cada pincelada um pouco de coragem e loucura, alegria e raiva, um pouco de nós, para o mundo? Chocamos paradigmas e regras que aborrecem toda a espontaneidade de um génio aprisionado por convenções emparelhadas com o medo, do ridiculo e da falha. Não nos importamos sequer com a nossa vontade, ou prazer naquele momento, de gritar cromáticamente com o mundo. Até que algo nos puxa para aquela folha, como um iman. E nos encontramos com o nosso individual ou fragmentado eu. E assumimos. Assumimos o vermelho, o preto, o amarelo e o verde, assim como assumimos todos os dias as nossas olheiras ao mundo, depois de uma noite mal dormida. Porque elas existem, apesar de todo o corrector que possamos pôr.

Olheiras e cores, num delirio nocturno. Talvez fruto da insónia ou do prazer de brincar com letras e pontos, palavras e métricas numa pintura imaginária, totalmente surreal.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

No teu corpo deitado....no repouso de um êxtase surdo e ruidoso… repouso a minha cabeça…As minhas ideias estão em alvoroço… querem-te dizer tantas coisas que nem elas sabem bem o quê…e o corpo continua num rebuliço….o coração descompassado tenta congelar o momento, para que na eternidade aquela sensação perdure… porque os corpos estão cansados demais para dizerem o que querem dizer...

Respiro somente

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Frio

Num passo calmo
percorremos a cidade, com olhares demorados sobre todas as luzes, todos os rostos, todos os passos apressados que conseguimos ouvir.
O frio deixa um manto branco que reluz, que congela as mãos, os pés, os sentidos.
Damos as mãos.

Perguntas-me em que penso
Respondo que no frio

Mas minto

Penso em ti.
No calor que o teu abraço me dá
e que me aqueçe cada centimetro da alma, em silêncio, cada centimentro do corpo, com violência.

Penso em Mim.
Como tremo, como me fazes tremer, como me dás ânsias de te encontrar nesta noite fria
nesta noite que percorremos na cidade, reluzente de Natal.

Calor,
quando me invades os sentidos, a alma, as pernas, e os braços
e os olhos,
as mãos e a lingua
que num beijo mais que perfeito
entregas nos meus lábios, na boca.

Numa paixão sem lugar, sem direcção
Sem frio, no frio.

terça-feira, 9 de setembro de 2008