quarta-feira, 22 de abril de 2009

E enquanto criança, 
perdia-se nas cores do mundo.
Brincava na magia do sentir, correndo para lá da realidade.
Experimentava.

Saboreava tudo  como se de um gelado de chocolate se tratasse,
Explorava e adorava.

Questionava, com todos os porquês que possuía.
Inquietava-se com todas as respostas mal dadas, esquecidas em segundos.

Adormecia e sorria, sonhando correr para o mundo que a esperava amanhã.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

O papel e o branco

Enfrentar uma folha de papel em branco, mesmo que esse papel seja virtual e até de arroz é complicado! Diria até aterrador, mas não custa tentar. Podemos começar por algo ilógico, que com o encadeamento de ideias, se vai tornando lógico e real, mesmo correndo o risco de continuar ilógico para quem nos lê.E aqui se encontra a grande questão: porquê pensarmos na lógica de uma questão e nos seus contornos, se o o indefinido tem muito mais interesse? E se para nós for lógico? Será que o "mundo exterior" é assim tão importante?
Começamos como que a colorir um quadro, daqueles que nunca saem do nosso plano imaginário, pela alegada "falta de jeito" tão frequentemente afirmada. E porque não, não tentar? Desafiar o papel, pondo em cada pincelada um pouco de coragem e loucura, alegria e raiva, um pouco de nós, para o mundo? Chocamos paradigmas e regras que aborrecem toda a espontaneidade de um génio aprisionado por convenções emparelhadas com o medo, do ridiculo e da falha. Não nos importamos sequer com a nossa vontade, ou prazer naquele momento, de gritar cromáticamente com o mundo. Até que algo nos puxa para aquela folha, como um iman. E nos encontramos com o nosso individual ou fragmentado eu. E assumimos. Assumimos o vermelho, o preto, o amarelo e o verde, assim como assumimos todos os dias as nossas olheiras ao mundo, depois de uma noite mal dormida. Porque elas existem, apesar de todo o corrector que possamos pôr.

Olheiras e cores, num delirio nocturno. Talvez fruto da insónia ou do prazer de brincar com letras e pontos, palavras e métricas numa pintura imaginária, totalmente surreal.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

No teu corpo deitado....no repouso de um êxtase surdo e ruidoso… repouso a minha cabeça…As minhas ideias estão em alvoroço… querem-te dizer tantas coisas que nem elas sabem bem o quê…e o corpo continua num rebuliço….o coração descompassado tenta congelar o momento, para que na eternidade aquela sensação perdure… porque os corpos estão cansados demais para dizerem o que querem dizer...

Respiro somente

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Frio

Num passo calmo
percorremos a cidade, com olhares demorados sobre todas as luzes, todos os rostos, todos os passos apressados que conseguimos ouvir.
O frio deixa um manto branco que reluz, que congela as mãos, os pés, os sentidos.
Damos as mãos.

Perguntas-me em que penso
Respondo que no frio

Mas minto

Penso em ti.
No calor que o teu abraço me dá
e que me aqueçe cada centimetro da alma, em silêncio, cada centimentro do corpo, com violência.

Penso em Mim.
Como tremo, como me fazes tremer, como me dás ânsias de te encontrar nesta noite fria
nesta noite que percorremos na cidade, reluzente de Natal.

Calor,
quando me invades os sentidos, a alma, as pernas, e os braços
e os olhos,
as mãos e a lingua
que num beijo mais que perfeito
entregas nos meus lábios, na boca.

Numa paixão sem lugar, sem direcção
Sem frio, no frio.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

terça-feira, 3 de julho de 2007

Por que esperas a noitinha
quando o corpo repousa na cama
quando a alma vagueia no escuro
quando o coraçao distorce o bater?

Como olhas para o céu e nao te perguntas
o que és tu?
o que é a lua?
como seres feliz?

domingo, 3 de junho de 2007

Muitas vezes me tenho perguntado o que é realmente a Felicidade, qual o meu papel no mundo e que devo eu ser, neste universo onde sou só uma particula minima numa imensidão inimaginável. Fisicamente, sou só a filha de um grande amor, o resultado genético de dois corpos e duas almas que num processo crescente me foram construindo. Os lugares que me resgataram, as pessoas que se cruzaram comigo, as pessoas que realmente ficam comigo, e as almas que são uma infima parte da minha são o resto de mim. Poderei dizer que sou uma simbiose, uma mistura de energias, de cores, de rostos e de cheiros que vão deixando em mim uma marca importante....
Com todos estes pensamentos, chego a conclusao que a felicidade é um estado individual, possível e alcançável com trabalho árduo e também leveza de espirito. Deixármos ao mais superficial de nós, o que realmente somos, sem máscaras ou papeis sociais, nem que seja uns momentos por dia. E reencontrármo-nos com tudo aquilo que de belo nos rodeia, com aquelas pessoas cuja missão é também darem um pouco de si mesmas à nossa felicidade, com as suas palavras, com os seus gestos, ou simplesmente um olhar de afecto que sabemos ler sem demoras ou porquês.
O nascer de um novo dia, com a lua como testemunha de um sol timido mas imponente no horizonte, que inunda com a sua luz tudo o que seja alcançável e um respirar fundo... Tocármos a face dele com as mãos e dizermos olhos nos olhos : Gosto de ti... pelo que és, pelo que me deixas ser contigo e por tudo o que seja inesplicável por palavras...
E as vezes as lágrimas correm plo rosto, e sentimos no peito um aperto tão grande, que desabafa numa gargalhada profunda, num desejo de explicar ao mundo o gosto tão único de sermos quem somos e estarmos vivos.